ABPA celebra assinatura de protocolo para exportação de miúdos suínos à China

São Paulo, 26 de setembro de 2026 – A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a assinatura, pelas autoridades chinesas, do protocolo que amplia o acesso da carne suína brasileira ao mercado da China, com a inclusão de miúdos suínos entre os produtos autorizados para exportação ao país asiático.

A formalização é resultado de um longo trabalho de negociação conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) junto às autoridades chinesas e representa uma das mais relevantes ampliações recentes de acesso a mercado para a suinocultura brasileira.

De acordo com estimativas da ABPA, mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ter destinação qualificada ao mercado chinês a partir do novo acesso. A expectativa é de que o direcionamento desses produtos a um mercado de maior valor agregado possa representar incremento superior a US$ 100 milhões em receita para o setor.

“É uma conquista de grande relevância para a suinocultura brasileira e resultado de um trabalho técnico consistente e muito bem conduzido pelo ministro André de Paula e por toda a equipe do Ministério da Agricultura e Pecuária, em permanente diálogo com as autoridades chinesas. Mais do que ampliar nossas possibilidades comerciais, este protocolo qualifica a destinação dos produtos brasileiros, agrega valor à produção e gera novas oportunidades para toda a cadeia”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

O Brasil mantém uma relação consolidada com o mercado chinês de carne suína. Entre 2013 e 2024, o país exportou 2,7 milhões de toneladas do produto para a China, que se consolidou ao longo dos últimos anos entre os principais destinos dos embarques brasileiros.

Até então, entretanto, o acesso brasileiro ao mercado chinês de miúdos era limitado. O estado de Santa Catarina estava autorizado a exportar determinados miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, mas não miúdos internos. Somente para o estado catarinense, a ABPA estima potencial de destinação de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao mercado chinês com o novo protocolo.

No Rio Grande do Sul, as estimativas da ABPA apontam potencial de mais de 40 mil toneladas anuais de miúdos suínos para o mercado chinês, além das oportunidades relacionadas à carne suína com osso. Somados, os potenciais identificados para Santa Catarina e Rio Grande do Sul superam 100 mil toneladas anuais de miúdos.

“Estamos falando de produtos que já têm valor e encontram destinação em outros mercados, mas que possuem demanda especialmente forte na China. O ganho está justamente na qualificação dessa destinação. Há uma complementaridade muito importante entre os hábitos de consumo brasileiro e chinês, que permite melhorar o aproveitamento da carcaça e agregar receita à produção. Estimamos que esse movimento possa representar mais de US$ 100 milhões adicionais para o setor”, ressalta Santin.

Os entendimentos técnicos para a revisão do protocolo avançaram ao longo dos últimos anos, em um trabalho desenvolvido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária junto às autoridades chinesas.

Em maio deste ano, durante missão oficial brasileira a Pequim, o ministro André de Paula participou de reunião bilateral com autoridades chinesas, quando foram confirmados os termos técnicos do protocolo revisado para carne suína e subprodutos, abrindo caminho para a formalização agora concretizada.

O avanço ocorre também em um contexto de fortalecimento do status sanitário brasileiro. Em maio de 2025, o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o reconhecimento de todo o território nacional como livre de febre aftosa sem vacinação, ampliando as possibilidades de acesso internacional da produção brasileira.

“A relação entre Brasil e China foi construída sobre confiança, segurança sanitária e complementaridade. Esta assinatura coroa um trabalho de longo prazo do Ministério da Agricultura e Pecuária e das autoridades chinesas. É uma conquista construída com capacidade técnica, persistência e diálogo, e que chega agora a um resultado concreto. O setor brasileiro está preparado para transformar este novo acesso em comércio, agregação de valor e geração de renda”, conclui Santin.